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José Saramago "faleceu às 12:30 na sua residência em Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença” diz hoje um comunicado da Fundação do escritor.
A morte de Saramago deixou a inteira nação portuguesa consternada.
O governo português já decretou luto nacional. “Recebi a notícia da morte de José Saramago com muito pesar. Entendo que é uma perda para a cultura portuguesa e o meu dever, neste momento, é endereçar palavras de coragem e de condolências”, disse o primeiro-ministro portugues José Sócrates, conforme citado pela Lusa. “Tenho a certeza que esse é o sentimento que todos os portugueses neste momento evocam”. "Escritor de projecção mundial, justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura", escreveu o presidente de Portugal, Cavaco Silva, que encontra-se nos Açores, numa mensagem de condolências endereçada à família de Saramago, diz uma notícia no site da RTP.
Apesar de José Saramago ser um ateu declarado e ávido crítico do cristianismo, a Igreja Católica portuguesa lamentou a sua morte. Saramago "ampliou o inestimável patrimônio que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres", salientou o padre Tolentino Mendonça, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, numa nota de imprensa.
Religião e Política na Perspectiva de José Saramago
No seu livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991), Saramago teceu duras críticas às dogmas da Igreja Católica. Considerou Jesus Cristo como um homem comum e argumentou que Deus foi um mera invenção humana ao qual o último acabou por se escravizar. Aquando do lançamento do seu livro “Caim”, Saramago disse que a Bíblia era um “manual de maus costumes”. Alem de ateu Saramago era um comunista ferrenho. "[O comunismo é] uma convicção política, e mesmo que me dê muitas decepções e frustrações - e a nós [comunistas] não nos têm faltado, externas e internas - teremos de engolir uma série de sapos em nome de princípios que se sabe que estão a ser atacados", declarou numa entrevista ao Diário de Notícias em Verão de 2008. "Se alguém tem de os defender que esse alguém seja eu."
Saramago transformou-se num símbolo da literatura mundial quando ganhou o Prêmio Nobel na mesma categoria em 1998. |