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(Fonte: Expresso das Ilhas) -- Os Estados Unidos anunciaram, esta segunda-feira, o seu apoio à nomeação Serifo Nhamadjo como presidente interino da Guiné-Bissau. Esta decisão coloca Washington ao lado da CEDEAO contra a ONU, a CPLP e o PAIGC.
O Departamento de Estado americano elogiou as negociações conduzidas pela CEDEAO e saudou "a nomeação negociada pela CEDEAO de Serifo Nhamadjo como líder de um governo de transição". Os EUA apelaram, ainda, a todos os actores da crise guineense para "aceitarem e trabalharem" com o novo governo.
Quanto a um plano de acção para o período transitório na Guiné-Bissau, este deve "respeitar o direito constitucional e incluir todas as partes nacionais," consideram os EUA.
"Antes de se considerarem outras opções devem ser esgotados todos os esforços para ser alcançada uma solução negociada", defenderam.
A posição americana é contrária à assumida pelo PAIGC, pela CPLP e pela ONU, que não reconhecem Nhamadjo. É ainda um desvio às reacções iniciais ao golpe de 12 de Abril, quando CEDEAO, União Africana, ONU e CPLP exigiam, unanimemente, o regresso à normalidade constitucional. Isso incluía o regresso de Raimundo Pereira à presidência interina, a retomada de funções da Assembleia Nacional, e a conclusão do processo eleitoral.
O plano dos militares responsáveis pelo golpe de estado para a transição do poder a um governo civil era diferente: pretendiam a formação de um conselho de transição que nomearia um executivo com a missão de preparar eleições dentro de um ou dois anos. O plano foi rejeitado, mas posteriormente a CEDEAO aceitou-o quase na íntegra. Assim, o que resta da Assembleia Nacional, onde o PAIGC tinha maioria, fica incumbido das funções de conselho de transição e as eleições deverão ocorrer dentro de um ano.
Recorde-se que Serifo Nhamadjo, agora nomeado presidente interino foi candidato nas eleições presidenciais deste ano. O dissidente do PAIGC foi derrotado por Carlos Gomes Júnior, e também por Kumba Iála, sendo que estes deveriam disputar a segunda volta.
O PAIGC, partido no poder aquando do golpe de 12 de Abril, e diversos parceiros internacionais da Guiné-Bissau, defendiam o regresso ao poder de Carlos Gomes Júnior, primeiro ministro eleito e favorito nas eleições presidenciais interrompidas. Estas deveriam ainda prosseguir, com a realização da segunda volta.
Posição de Cabo Verde
O Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, reiterou no sábado, 14, que o Governo de Cabo Verde "não reconhece" nenhum Governo que saia de um golpe de Estado, como é o caso na Guiné-Bissau. "É preciso que haja articulação entre todas as instituições da comunidade internacional. A ONU, que já tomou uma posição muito clara, aconselha a articulação entre as Nações Unidas, UA (União Africana), CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e CEDEAO e também apela a todos no sentido de se restituir o poder às autoridades legitimamente constituídas", respondeu.
"É nessa linha que Cabo Verde vai continuar a trabalhar, respeitando as cartas das Nações Unidas e da UA, mas também respeitando os princípios e os valores da CEDEAO, designadamente a tolerância zero em relação a golpes de Estado", acrescentou, citado pela Lusa.
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Comments
Num regime antidemocrático a única forma de depor um governo é pela força.
Depois de 5 golpes agora é que resolveram tomar uma atitude de apoio a uma das partes
Djuguta
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