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POLITICS - A Achada Santo António e a história política contemporânea caboverdiana

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Abel Djassi Amado
A Achada Santo António e a história política contemporânea caboverdianaPrintE-mail
Sunday, 26 February 2012
Written by Abel Djassi Amado

achada-santo-antonio.jpg

A singularidade da ASA resume-se ao papel desempenhado pelos jovens daquele bairro nos três momentos críticos da nossa história contemporânea: independência, crise do trotskyismo e democratização.

 

Verdade seja dita: quando se fala em “Txada” esta-se a referir somente à Achada Santo António (ASA). Quem bem conhece a realidade social da capital sabe disso. As outras “achadas” carecem de adjectivos e/ou de prefixos de modo a serem identificadas. Por outras palavras, fala-se sempre de Txada Grandi, de Txadinha, de Txada Son Filipe, por ai adiante. A ASA mereceu pelo seu valor na história ilhéu e nacional o destaque—daí que não precise de qualificadores (i.e., Santo António) no discurso coloquial. Ao ser mencionado de apenas “Txada” qualquer pessoa minimamente integrado na cultura local praiense saber-se-a que se trata da ASA.

A parte histórica da cidade da Praia, mais conhecida pelo topónimo de origem francesa plateau, é cercada de “achadas,” isto é, planaltos e colinas que as migrações internas, a nível ilhéu e nacional, acabaram por edificar novos bairros. Se Lisboa é historicamente reconhecida como a cidade das sete colinas, a cidade da Praia pode muito ser reconhecida como a cidade das achadas, ja que, como notado acima, o centro histórico é circunscrito pelas várias achadas.

Agora, voltando ao dito primeiro paragráfo. Mas de onde vem tal singularidade da ASA? Antes de responder tal questão sugiro alguns caveats. Primeiro, mais trabalho de investigação histórica anda a ser conduzido pelo escritor destas letras. Por isso, o que for aqui escrito não deve ser levado como conclusões definitivas. Antes, devem ser tidas como pistas para futuras pesquisas e/ou conclusões tentativas. Segundo, a história, a nacional e, particularmente, a local, enquanto disciplina social científica, anda aos passos de tartagura entre nós. Não existe (que eu saiba!) tentativas de elaboração de histórias locais (existe, no entanto, vários trabalhos de estórias locais, mas isto é outra coisa). Terceiro, desde 1975 é que estamos habituados a uma versão oficial de história nacional que coloca os acontecimentos locais fora do contexto nacional.

Dito isto, resta-me responder a questão por mim levantado no início do parágrafo anterior. A singularidade da ASA resume-se ao papel desempenhado pelos jovens daquele bairro nos três momentos críticos da nossa história contemporânea: independência, crise do trotskyismo e democratização. Esforçar-me-ei para ser breve. Primeiro, antes da queda do regime de Caetano em Lisboa, já havia entre alguns jovens txadensis uma tendência de aproximar aos ventos da história de libertação do continente africano. O 25 de Abril apenas abriu mais espaços e permitiu o fim do secretimos entre muitos dos jovens txadensis. Os jovens txadensis de 1974 (nomes como Jacinto Santos, Abailardo Amado, Djonsa “Kool”, Carlos Fragoso, entre outros) tornaram-se de imediato rank-and-file do PAIGC. Estes acarbar-se-iam por formar o grupo de vigilância do PAIGC da ASA. O papel desses jovens na propagação da ideologia e mensagem do PAIGC em Cabo Verde ainda é de ser escrito. Se o PAIGC pode minimizar o papel da UPICV na cidade da Praia, em parte, deve-se aos trabalhos destes jovens idealistas.

Mas o grupo de ASA, ainda sob a liderança do PAIGC, manteve-se sempre a sua autonomia—ou pelo menos, quis manter a sua autonomia. As querrelas intra-partidárias do PAIGC, mormente a crise do trotsyismo de 1979, complica a situação dos jovens txadensis. Recorde-se que um dos protagonistas da crise, o José Tomas Veiga, era o líder da secção do PAIGC na ASA. Daí que a nomenklatura do PAIGC não viu com bons olhos os jovens txadensis. Alguns foram tidos como fraccionistas ao porem em causa a linha ideológica do partido (quem é da ASA e tem mais de 37 anos deve lembrar-se da célebre reunião do então Secretário Geral do PAIGC, Aristides Pereira, com os jovens militantes do PAIGC da ASA durante o período da crise trotskyista?).

Por fim,basta lembra que, a nível doméstico nacional, o processo de institucionalização da oposição ao regime do partido único do PAICV teve como um dos locus a ASA. Foi naquele bairro que várias personalidades, que iriam ter um papel importante na transição democrática, reuniram e acabaram por encontrar estratégias conducentes a fazer demolir o edifício autoritário do ancien régime caboverdiano. É de notar que foi da mão de um grandes filhos da ASA, Jacinto Santos, que nasceu o mais célebre documento contra o regime do PAICV, a notável Declaração Política, um documento que merece destaque na história política nacional.

Alguns hão de apontar um certo umbiguismo nesta matéria aqui escrito. Talvez. Mas penso ser necessário começar a repensar a história e as estórias locais, peças fundamentais no puzzle da história nacional. Numa outra ocasião irei desenvolver o papel dos jovens txadensis naquelas três épocas que acima mencionei.



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Abel Djassi Amado

Abel Djassi Amado

BIO

Abel Djassi Amado está a fazer Doutoramento (PhD) em Ciência Política no Boston University.

Atenção: As opiniões expressas pelos colunistas não representam a posição da FORCV. Elas apenas traduzem o ponto de vista dos mesmos. A FORCV publica artigos de opiniões de diferentes colunistas com o intuíto de apresentar diversos pontos de vistas aos nossos leitores. Por isso, convidamos pessoas interessadas a enviar artigos de opiniões para editor@forcv.com.

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Comments  

 
0 #36 Antonio Tavares 2012-04-09 11:58
O jovem Abel Djassi contaria aquilo que o irmäo Abailardo Amado lhe tivesse contado.Mas se o PAIGC tivesse esperado apenas pelas imberbes façanhas revolucionarias dos jovens jacintos, abailardos e dos menos jovens carlos fragosos, da ASA,talvez, ainda hoje, estivessemos a espera que do céu caisse a nossa Independencia Nacional. Jovem, continua a investigar sobre as façanhas revolucioárias dos jovens da Praia, em particular as dos jovens da ASA, e encontrarás feitos interessantes e os respectivos actores. Boa Sorte na tua investigaçäo!
 
 
0 #35 Virgilio Mendonca 2012-04-03 19:50
Msg de Virgilio DI CABOVERDE, Di "Brasil, di Plateau, di Sal,... Kauberdiano.
Nao exageremos no bairrismo, quantos anonimos nao deram mais do que e publico, E MAIS DO PODIAM E DEVIAM? Reclamar Grupos,Clubes,C ores,Raças, Tribos,Feitos,P artidos, etc,etc nao esta de acordo com o Mundo Novo,que todos queremos construir...TODOS DIFERENTES TODOS IGUAIS
 
 
0 #34 terra 2012-03-01 20:01
Caro leitores? Tchada tem o seu lugar so que nesse momento estamos a balansar?
 
 
0 #33 Preto Forro 2012-02-28 17:27
Jornalista, pelos vistos és o maior nessa parada. Andas a dar lições de Ciências Politicas a muitos, embora nem sempre de forma sobria. Mas o que conta aqui é que tens uma boa cultura geral e politica e bagagem intelectual.

Partindo desse pressuposto, sendo eu ainda novinho nessas andanças aproveito para solicitar algo que não consigo encontrar de forma sistematizada nos livros e que possa me permitir ter uma ideia clara sobre o assunto.


Como explicar o facto de os pretos forros ocuparem a parte inferior à ocupada pelos brancos na pirade da organização social em Cabo Verde. Que poder economico e politico teriam esses pretos forros na altura? Fico aguardando a sua resposta. Sendo a net um instrumento publico caso haja outra pessoa que queira dar o seu contributo, estamos abertos.
 
 
0 #32 DIPLOMATA 2012-02-28 11:14
Óh, José Bouquinhas-JORNALISTA, tú és mesmo NABO! Não sabes nada da vida histórica e cronológica da política cabo-verdiana. José Bouquinhas, vou te ensinar o que se passou com verdade! o PAICV violou o Acordo de Algés(Portugal) , assinado entre Mário Soares e Pedro Pires pela institucionaliz ação do regime democrático pluralista, logo depois de a Assembleia Constituinte, na pessoa do seu Presidente, Abílio Duarte, declarar a Independência de Cabo Verde no dia 5 de Julho de 1974. O PAICV re-abriu a prisão- carcela do Tarrafal de Santiago e prendeu encarcerrando os militantes e simpatizantes da UDC- União Democrática Caboverdeana e 75 caboverdeanos(A ntónio Gumercindo Chantre, Arlindo Barradas entre outros) e o Álvaro Leitão da Graça Presidente do partido UPICV- União dos Povos das Ilhas de Cabo Verde foi preso e exilado em Portugal. O PAIGC a boa maneira africana deu um GOLPE de Estado tomando o poder pela via da força e SEM eleições multipartidária s com OS PARTIDOS a UDC e a UPICV. Em. 1975 o PAIgc A BOA MANEIRA AFRIACANA deram um GOLPE de Estado e instauraram a DITADURA do PARTIDO ÚNICO! E um facto grave foi a tomada da Rádio Barlavento em que a liberdade de expressão e de imprensa foi reprimida pelo PAIGC.
 
 
+1 #31 Carlos F. 2012-02-27 17:47
Senhor Jornalista, sei perfeitamente o que escreveu, e estamos em termos gerais, inteiramente de acordo. No entanto aquilo que escrevi (...que nao existia Trotskismo "nas ilhas...etc...) era uma resposta rapida, servindo do artigo como pano de fundo, para deixar o Amado saber que Trotskismo, assim como ele quer interpretar realmente nao existia e nem existe em Cabo-Verde...portanto estamos em completa concordância...havia, sim tendências ideologicas e influencias que foram esposadas por essas pessoas que menciou (sei tão bem do caso porque eu tambem estive lá...ao vivo)


Se houve uma corrente com definicao Trotskista dentro do PAIGC- isto é algo para debates... e foi por isso que eu deixei no fim do post o repto para alguem expor sobre isso - e que depois foram espulsos por Pedro Pires e mais comanditas isso posso llhe confirmar que foi mentira .

Eu não acredito nessa “corrente-Trotskista“ porque isso presupoe algo mais que o simples gostos e tendências pessoais, e além de mais tenho razões bem definidas para não acreditar nisso... mas não vale a pena aqui despejar tanto tinta.
Descanse, porque faços minhas muitas das suas ideias...(admiration is mutual)
 
 
+1 #30 Garganta Funda 2012-02-27 16:07
Deixei este texto no Liberal ha horas para ser publicado para responder ao Dr Casimiro mas até agora nada. Fica portanto aqui:

O Dr Casimiro é mesmo um paranôico, um doentinho com a mania que ele é a unica pessoa que sabe nesta terra. Ele não percebeu que eu não lhe estava a fazer nenhuma critica maléfica, mas que estava pura e simplesmente a dizer que o Jornalista grosso modo lhe adiantou. Grosso modo, os dois não dizem praticamente a mesma coisa, ou a megalomania do dr Casimiro é assim tão grave?!

Parece ser pois o Casimiro apenas seleccionou uma parte do texto do Jornalista em duas partes. O Jornalista não abordou apenas o aspecto da transição constitucional de Miranda, mas é um pormenor técnico. Ja agora quem é Miranda em matéria de Direito constitucional e Ciências Politicas no Mundo? Portugal não é nenhuma referência na matéria.

Quando se abre um Dicionario constitucional ou de ciências politicas Universais não se encontra uma unica referência portuguesa. O Casimiro nao percebe que quando ele cita o seu professor português, a Roselma pode também citar os seus professores brasileiros, assim como fazer a mesma coisa aqueles que estudaram nos Estados unidos, Africa ou Europa.


Ninguém é obrigado a conhecer todos os nossos professores. O que Casimiro nao sabe, é que ha uma regra de outro que é a de citar CLASSICOS de determinadas disciplinas. Ora bem, em direito nao ha CLASSICOS portugueses, logo nao têm que ser citados.

Seja mais humilde dr Casimiro! Vão ler os dois textos do Jornalista.
 
 
-1 #29 Jornalista 2012-02-27 15:11
Nao vamos polemicar sobre trotskismo como uma filosofia politica, ou como tendência politica, porque sabemos os dois do que estamos a falar.

Mas se o Carlos ser que sejamos mesmo rigorosos na definiçao dos conceitos politicos, entao vou dizer-lhe que Trotskismo como escreveu, quer dizer como uma filosofia politica, nunca existiu em lado nenhum do mundo.

Para eu nunca escrevi que existia Trotskismo "nas ilhas". E você percebeu muito bem o que eu queria dizer até porque eu dei nomes de Zona e Faustino, como os lideres dessa "tendência". E era o que estava em causa.

Nesta ordem de ideias, segundo a definiçao que nos fornece, entao nao houve nada em Cabo Verde tirando o PAIGC que era o unico partido estruturado como "organizaçao politica com bases lançadas e esturturas politicas" ETC ETC.

Nao percamos o nosso tempo com ninharias e agora pergunto-lhe.

Houve ou nao uma "tendência politica" trotskista nos principais centros urbanos caboverdianos, sobretudo Praia e Mindelo?

Houve uma corrente trotskista dentro do PAIGC ou nao? Houve expulsoes dos seus representantes dentro do PAIGC ou nao?

Claro que houve. Claro que as duas principais figuras desse grupo trostikista eram Faustino e Zon, mas havia ainda José Luis Fernandes, Veiga irmao, Filomeno, Gustavo Araujo, Corentino Santos, Renato Cardoso (so a meio corpo, pois nunca entrou de facto) e muitos outros.

Eu proprio, fui contactado varias vezes para fazer parte do grupo...

Agora que nunca houve um partido, uma organizaçao politica como você diz, isso é verdade, mas você sabe perfeitamente que eu nunca escrevi isso e nem era tal a minha intençao.

Nada de brincadeiras, até porque eu fiz-lhe um elogio...
 
 
-3 #28 di txhada 2012-02-27 15:00
Há muitos equívocos neste texto. O Djassi apenas cita o seu irmão e o seu amigo antigo vizinho. Há muitos jovens de Txada que naquele tempo deram cabo da cabeça do PAIGC. Porque razão o Djassi esqueceu de nomes de Dico, Zé Filomeno, Djonsa Cul, Zequinha Rasta, Ney di Pedro Amadeu, Lu Preta, Neu, entre tantos outros.
 
 
+4 #27 Carlos F. 2012-02-27 13:28
Senhor Jornalista, dizer que em Cabo-Verde existiam pessoas com tendências politicas varias(uma grande verdade), é uma coisa bem diferente de afirmar que havia Trotskismo nas ilhas. Pois isto implica uma organização politica com bases lancadas e estruturas politicas bem identificadas, o que nunca foi o caso.
 
   

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