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(Fonte: Expresso das Ilhas) -- À porta de saída da empresa - depois de o Governo ter anunciado João Pereira Silva para o substituir - António Neves decidiu escrever mais uma carta aos trabalhadores da TACV, desta vez, para lhes pedir que desistam das acções que os "colaboradores" têm intentando contra a empresa, para resolverem juntos os problemas que estes têm com a administração, mas "fora dos tribunais".
Na carta assinada com a data de 15 de Fevereiro a que Expresso das ilhas teve acesso, o Presidente do Conselho de Administração da empresa, António Neves, reconhece que falhou relativamente ao processo de regularização das carreiras dos trabalhadores, adiantando que a intenção da administração era fazer justiça aos prejudicados "mas também projectar uma nova estrutura mais consentânea com as legítimas aspirações dos colaboradores e compatível com a realidade em que a TACV opera".
Neves explica que não foi por ignorar o problema mas sim por motivos de ordem financeira que "inviabilizaram" a concretização do desejo da administração. O que levou muitos trabalhadores a "perderem a paciência" e a levarem o assunto ao tribunal "que lhes vem dando razão", o que "tem estimulado outros colaboradores a procurar a tutela e reconhecimento dos seus direitos pela mesma via (na justiça)".
"Acontece que a decisão favorável dos tribunais tem imposto um custo financeiro muito elevado", custo esse que, diz António Neves, a "TACV não está em condições de suportar no actual contexto", antevendo o PCA maus momentos para a empresa, se a companhia aérea for obrigada a promover os colaboradores afectados e actualizar os seus salários: "estaremos a levar a companhia à insolvência e para o seu encerramento. Não estamos a dramatizar", avisou o gestor cessante na carta, concluindo que "é uma possibilidade bem real e todos devem pensar nela".
Ao problema da regularização das carreiras, junta-se o dos encargos pendentes de decisões judiciais que a TACV ainda não pagou. É o caso do processo intentado pelo Pessoal Navegante de Cabine (PNC), sobre os subsídios e senhas de refeição ainda não regularizadas, estando Tony Neves a alertar os trabalhadores para o facto de a empresa não ter dinheiro para pagar tais encargos (fala-se em 40 mil contos), e que já levou à penhora da conta da TACV, na Caixa Económica de Cabo Verde.
É diante deste cenário que o administrador pede aos trabalhadores que desistam desses processos indemnizatórios - em que a empresa está obrigada a pagar cash aos funcionários - e se sentem à mesa, porque, no seu entender, a TACV tem condições para encontrar uma solução que "atenda os direitos dos colaboradores" e "evite um possível fecho" da empresa por incumprimento para então, mais tarde, se poder "pagar os encargos decorrentes da actualização do novo enquadramento das carreiras dos colaboradores", conclui a carta de António Neves.
Para já, não se conhece nenhuma reacção dos trabalhadores ou dos sindicatos em relação a esta posição da administração da TACV que, entretanto, continua com um problema bicudo por resolver e que tem a ver com a devolução do Boeing 757 B. Leza à Lessor que decidiu não aceitar o aparelho por incumprimento do contrato, como avançou este jornal em primeira mão.
Tony soube do seu sucessor pelos jornais
Passou quase que despercebido um post colocado por António Neves na sua página do Facebook onde o ainda gestor da TACV confessa ter tomado conhecimento de que já tinha sucessor pelos jornais e diz-se aliviado por deixar a empresa. "Por dois motivos: primeiro, porque liberto-me de uma tarefa para a qual não tenho meios e dependo de terceiros, sobretudo do governo, para enfrentar com sucesso. Depois, porque parece que já se compreendeu que ‘tudo vale para recuperar' a TACV, incluindo ‘despedimentos, reconversões, parcerias, novos modelos de gestão...' (as reticências, escreve Neves, "parecem-me uma marca registada de uma bem conhecida artista com cabeça em casca de noz e pés feitos de barro, infelizmente!)" .
"Agora, depois de encontrado o parceiro timoneiro, o que interessa é acção", escreve, pedindo que se "deixe a retórica e a verborreia infantil e inútil porque a coisa está agora muito, mas mesmo muito mais difícil, depois que disseram que as contas estão a ser falsificadas" e de se ter escrito que a companhia foi penhorada pela ASA.
"É que os fornecedores não estão pelas paródias indígenas e não acham piada nenhuma às guerras comezinhas urdidas para abater um qualquer gestor de quem não se gosta", lê-se no post colocado a 6 de Fevereiro, concluindo que esses fornecedores "passaram a exigir a cor do dinheiro antes de libertarem fornecimentos".
E os desabafos do irmão do nosso Primeiro Minstro não ficam por aqui. Considera "desastrada" o dossiê renovação da frota e questiona: "ainda hoje pergunto o que é que justifica que dois ministros se atarefem a negociar directamente aviões!)", para mais adiante se referir às "grandes e altamente custosas reparações e restaurações dos motores dos aviões Boeing a que a TACV foi obrigada" e que fizeram o resto (aumentou as dificuldades de tesouraria da empresa).
"As coisas são o que são; os responsáveis por elas, não obstante a encenação e o teatro recorrente, raso e gasto, devem estar com pesadelos, e mais cedo ou mais tarde, hão-de pagar", refere Neves antes de terminar, para concluir que ‘a verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima', mais cedo ou mais tarde.
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Cadeia pro Tony.
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